sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Riscos


Talvez a dose colocada tenha sido demais
Ou ainda, a bebida não seja a que mais aprecia
Bom seria se explanasse o que realmente lhe agrada
Isso porque não tenho como decifrar, assim, tão cedo

As possibilidades são amplas

Os efeitos são variados
E assim como eu, você também pode embarcar
Lançar-se nesse turbilhão de certas incertezas

Penso que a firmeza do entrelaçamento dos dedos nos ajude

Ao menos garanta uma confiança superficial
Que pode já ser suficiente...
Ou não

Mas é aí que me sobressaiu

Dando alguns passos sem ter a nítida visão do que está à frente
Digamos que deixo meu instinto me conduzir
Estando plenamente consciente do risco que posso correr

Riscos, quem não corre não vive!


(Djavan Antério)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Em Tempos Assim...


Eu... eu sou uma estrada de mão única
(Escoando em diferentes direções)
Sou uma estrada que leva pra longe
(Não o suficiente para me desprender)
E segue você de volta pra casa
(De onde nunca deveria ter saído)

Eu... eu sou um poste aceso
(Que ilumina o suficiente para enxergar o que tem logo a frente)
Sou uma luz branca ofuscante
(Que nem sempre clareia o óbvio)
Piscando sem parar
(Parando sem piscar)

Em tempos assim, você aprende a viver de novo
(Prestando atenção nos detalhes)
Em tempos assim, você se entrega e entrega de novo
(Até que a entrega seja completa)
Em tempos assim, você aprende a amar de novo
(Mas de uma forma diferente)
Tempos assim vivem se repetindo
(Cada qual de sua maneira)

Eu... eu sou um novo dia nascendo
(Que em seu esplendor tenta ser mais bonito do que era antes)
Sou um novo céu
(Mais amplo, mais definido)
Pra sustentar as estrelas de hoje à noite
(Que nada cobram pelo brilho que emitem)

Eu... eu estou um pouco dividido
(Incompleto, imperfeito)
Devo ficar ou fugir pra longe
(Ora sei, ora não faço a menor ideia)
E deixar tudo isso pra trás?
(Talvez esse seja o melhor caminho!)

Em tempos assim, você aprende a viver de novo
(Prestando atenção nos detalhes)
Em tempos assim, você se entrega e entrega de novo
(Até que a entrega seja completa)
Em tempos assim, você aprende a amar de novo
(Mas de uma forma diferente)
Tempos assim vivem se repetindo
(Cada qual de sua maneira)


 (Capa: Foo Fighters - One By One, 2002)
 
Dave Grohl
(Djavan Antério)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Medo, Todos Nós Temos!


Medo, todos nós temos!
(Dizer o contrário é pura ilusão)
E a dor que sentimos no peito é consequência.

Algumas coisas são melhores quando acontecem naturalmente.

Assim, só o que nos resta é esperar;
Clichê ou não, “viver cada dia de cada vez”.

Maravilhoso seria se tudo o que nos angustiasse fosse simples de se resolver.
Porém, se simples fosse, angustia não haveria, certo?!
(A vida é assim; assim é a vida)

Basicamente tudo o que fazemos produz reflexos;
Repercute de alguma forma.
Saibamos, portanto, o que fazemos.
Senão, ao menos tentemos remediar o que fora prejudicial.

Em tese, com o passar dos anos adquirimos mais experiência,
Tornamo-nos mais maduros e, consequentemente,
Pisamos mais firmes na longa caminhada...

Isso implica dizer que a cada minuto que passa,
Somos pessoas diferentes
(E que bom que é assim!).

O que fica é a essência,
O traço fundamental da pessoa,
A sua natureza mais íntima,
Aquela que nem sempre é perceptível “a olho nu”.

Diante deste pensamento,
Estou inclinado a defender mais e mais que,
Independente das mudanças que aconteçam,
O fundamental é priorizar as que agregam;
As que nos tornam efetivamente melhores,
Retroalimentando-as para que sejam de fato parte de nossa própria carne.

(Djavan Antério)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Respostas


Não tenho as respostas que deseja ouvir
Muito menos as explicações para algumas das minhas atitudes
E por isso entendo que me ache “louco”
(Mas quem não é hoje em dia?)

Talvez eu me esconda nessa minha loucura
Pelo simples receio de me mostrar
E isso talvez complique ainda mais
O entendimento que possa ter sobre mim

Sou assim...
Meio lá do que cá, ora aqui ora acolá
Tento manter os pés no chão
Ao mesmo tempo em que no céu tento tocar

Jamais condenaria sua postura diante dos meus erros
Entendo considerando-a um reflexo do meu próprio eu
Pois suas dúvidas são as minhas
E seus achados são os meus

Entenda apenas que não faço por mal
Não é intencional, premeditado
Avalie como... uma casualidade inconsequente
Descuidosa, imatura

Sendo assim, se estiver com dúvida entre o sim e o não
Sugiro que escolha o não, se achar que em nada dará
Ao mesmo tempo em que sugiro o sim
Se decidir realmente arriscar

(Djavan Antério)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Mestre Gil


Ainda ontem assistia um especial sobre o grande mestre Gilberto Gil. “Preto Gil”, para os mais íntimos (rsrs - quisera eu!). O programa (Arquivo N) explorou um pouco da trajetória reluzente desse artista que representa bem a nossa mais pura música popular brasileira. Se já era fã do cara, fiquei mais ainda.

No auge dos seus 70 anos, a jovialidade parece ser inversamente proporcional aos anos que completa. Recentemente conferi tal energia ao vivo, em show aberto, de baixo de chuva, junto a um público peculiar, na Praça Cem Reis, João Pessoa/PB. Um espetáculo! Com influências das raízes nordestinas somadas as sonoridades de João Gilberto, Gonzagão, Caymmi, Bob Marley, Gil se apresenta de forma categórica, no melhor estilo “Mick Jagger afro”. Tudo isso temperado com a essência ardida da Bahia. O resultado? Um artista sólido, pulsante, criativo, profético.

Até aqui não falei nenhuma novidade. Por isso, deixe-me dizer o que mais me chamou a atenção nesse pequeno “documentário”. Trata-se do depoimento de sua amada, Flora. Ela, com uma simplicidade sem igual, falou do amado de forma serena, pura e bastante verdadeira, resumindo em uma frase o que Gil é para ela: “Eu sou a pessoa mais suspeita pra falar, pois eu amo o Gil... e o amor é tudo; então pra mim ele é a pessoa ideal”.

Tais palavras evidenciam um Gil que todos nós parecemos já conhecer. Isso porque, seja num show, numa entrevista, até mesmo num palanque falando de política, Gil é Gil, sem muito “gueri-gueri”, floreios, papo enfeitando... Muito pelo contrario, ele viaja na subjetividade que acredita, defende, vivenciou e vivencia a cada dia que passa. Sua história está aí para quem quiser ver, admirar, contestar, mas acima de tudo, aprender. Aprender sobre um artista nosso, da terra, fruto da cultura miscigenada tipicamente brasileira.

Gilberto Gil é, para mim, um ícone palpável, alguém que poderia muito bem ser meu vizinho, o camarada na fila do pão, meu parceiro numa cervejinha gelada, um colega de faculdade, um amigo...

Bom, vou parar aqui com a “rasgação” apresentando o programa em si, que acabei achando enquanto lia sobre “o cara”. É só clicar:

Despeço-me com uma frase de efeito do mestre e com uma de suas músicas que mais me agrada, Esotérico.

“Fé é conviver com o sentido profundo da vida”


(Djavan Antério)