terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Bons Ventos


Tenho poucas respostas
Para muitas perguntas

Porém, do contrário de algumas pessoas que aqui estão

E não param nem por um minuto

Queria oferecer-lhe uma boa conversa

Mesmo não sendo a pessoa mais indicada para isso

O fato é que, não importa onde estejamos

Sempre nos lembraremos daquele dia

A não ser que nos soltemos um pouco mais

Esqueçamos o que passou

Façamos isto, juntos

Eu, aprendendo com você, e você, aprendendo comigo

Não tenho dúvida

Hoje a vejo diferente

Percebo com maior clareza

Suas inúmeras qualidades

Por agora, sentemos aqui na areia

Contemplemos o balanço do mar e sua sonoridade sem igual

Quem sabe ele nos traga bons ventos

Afinal, é só do que precisamos

Bons ventos



(Djavan Antério)

domingo, 22 de janeiro de 2012

Pequenas Ações

Neste final de semana vivenciei algo que muito me marcou. Coisa pequena, alguns até achem que pouca importância tem. Mesmo assim, penso valer a pena difundir aqui...

Como de costume, estava eu, vendo um showzinho em praça pública, “sozinho” (Ainda não tinha encontrado com os amigos). A verdade é que, quando gosto mesmo da atração, procuro ficar o mais próximo possível, de modo a apreciar melhor o artista e toda sua apresentação.

Em meio a uma pequena multidão, eis que esta ao meu lado um pai e um filho, com um pequeno isopor. Como quem não queria nada, mencionei para o filho, com lá seus 22 anos, que eu também gostava de levar minha bebida para alguns shows. Acho prático, cômodo, barato e, ainda por cima, consumo aquilo que gosto. O rapaz então me revelou que na verdade, aquelas cervejas eram para venda. No mesmo ato falei: “Ahhhhhh, beleza! Fazendo um extra, né?! Isso aê!” Ele sorriu e confirmou.

Começamos a conversar tomando umas e outras, curtindo a boa música. Então ele me revelou que estava ali, vendendo, mais por uma força maior, pois acabara de ter um filho com a namoradinha. Caio, o nome do guri.

Continuamos o papo e o show rolando. Percebi então que ele não havia vendido se quer uma cerveja. Pensei em comprar uma, só que, além de não estar bebendo cerva na noite, pareceria meio artificial. Foi aí que pensei, posso não comprar, mas posso fazer com que comprem.

Comentei com ele que seria bacana se tivesse algum cartaz ou algo do tipo. Ele então me confidenciou que tinha uma plaquinha no carro, mas não sabia se poderia usá-la ali, explicitamente vendendo, uma vez que existe toda uma burocracia para autorizar a venda de bebidas em eventos organizados pelo município. Algo assim...

Olhei para um lado, olhei para o outro e disse: “Vai logo pegar essa bendita placa, rapá!!!”. Depois de alguns minutos ele trouxe, já escrita. Nela estava: “Nova Schin, R$2,00”. Perguntei a ele se poderia apagar e escrever de outra forma. Com o seu consentimento, coloquei “Cerva Gelada, 2 Pila!”. E no cantinho escrevi “#caio”.

Disse rapidamente a ele que “Nova Schin” não era uma cerveja... digamos assim, atrativa. Sendo direto e informal, chamaríamos mais atenção. Se o cliente (Rsrs - O consultor!!) optar em não comprar, só irá fazê-lo depois que a cerva estiver em mãos. E isto se daria depois de ter sido espremido no percurso e sentido que a danada estava mesmo gelada. Aí, vamos ver se o gosto supera a vontade. Foi tiro e queda!

Em alguns momentos eu levantava a plaquinha, tentando divulgar para quem estivesse mais afastado. Veio então o primeiro, o segundo, o terceiro... até que lá pelo décimo, chega uma simpática garota e pergunta: “Mas quem é Caio?” Disse a ela que era o recém nascido do “meu sócio” e que estávamos ali vendendo basicamente por isso. Não deu outra, só ela levou cinco latinhas e indicou mais três amigos.

Com as cervejas acabando, comentei que se tivesse mais um isopor daquele, venderíamos fácil. O “sócio” então disse que tinha mais algumas latinhas no carro, mas achava que não daria tempo de buscá-las. Olhei pra ele e disse: “Oxe, corre lá, meu amiiiiiigo!!!”

Bem, vendemos absolutamente todas! E aí vem a parte mais forte deste pequeno relato. Com o show já terminado, ambiente mais tranquilo, o rapaz apresenta formalmente seu pai e me diz: “Brother, valeu aí. Isso aqui vai garantir o leite do Caio pelo menos por esta semana”.


Minha garganta travou na hora! A única coisa que consegui falar foi: “Que isso, foi um prazer. Lembranças lá pro moleque”. Dei-lhe um abraço, desejei tudo de melhor e fui embora.

Pois bem, sei que o que fiz foi pequeno, talvez até insignificante para alguns. Só que para mim, particularmente naquele dado momento, foi mágico!


Pequenas ações eternizam momentos.
Pequenas ações nos tornam maiores.

Não tenho dúvida que ações como esta, que se procedem naturalmente, sem nenhum tipo de interesse maior, contribuem para um mundo melhor. 


(Djavan Antério)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Primeiro Beijo


Uma vez alguém falou que jamais esquecemos nosso primeiro beijo. Isso porque, em tese, foi o primeiro, o mais especial, o começo de uma descoberta... Em minha humilde opinião, penso que não seja bem assim.

Minha avaliação discorre não do primeiro beijo propriamente dito, mas sim daquele primeiro, com quem realmente gostamos. Também não estou falando de amor. Até porque geralmente em nosso primeiro beijo, nos encontramos numa fase na qual não sabemos de fato o que é o amor. Podemos até, quando mais jovens, afirmar que estamos amando. Acredito nisso! Só que a realidade é um pouco mais complexa.

Para falar a verdade, não me recordo do meu primeiro beijo. Tem um que sempre me lembro pensando que seja, mas não tenho certeza... Este, nem sequer fora com o "meu primeiro amor". Na verdade foi com uma amiga que gostava muito de mim, mas não o "MEU primeiro amor".

O bom dessa história toda é que me lembro, como se fosse hoje, da primeira vez que beijei uma menina que verdadeiramente eu gostava. Vale frisar que na época podia jurar que a amava.

Fiquei nervoso, inseguro, suando frio... Pensava principalmente se ela iria gostar. Mais que isso, se iria querer novamente. Sim, pois não é porque não gostamos de primeira, que nunca mais quereremos experimentar novamente, é ou não é?! (rs)

O fato é que depois do primeiro beijo, naquela pessoa que realmente se gosta, o guardamos em nosso íntimo, pois ele foi o mais especial, aquele que procedeu imbuído de inúmeros sentimentos e sensações. “A partir dele, todos os outros sempre deixarão a desejar”. (Vi esta frase uma vez, num filme)

O triste dessa minha história era que ela, o "meu primeiro amor", era o meu, mas eu não o dela. Isso me fez sofrer de tal forma que até hoje tenho aquela fase como lição, aprendizado. O curioso é que anos mais tarde as coisas mudaram de lugar. Um certo dia, bem discretamente, numa dessas festinhas de escola, ela veio e se declarou...

Mas... o tempo passa! Lembram das aspas em “meu primeiro amor”? Pois é, finalmente havia encontrado um sem as aspas. Foi minha primeira namoradinha. Com ela tive meu primeiro beijo com quem, de fato, gostava e com quem sentia a reciprocidade latente.

Analisando friamente, tive, portanto, três histórias de “primeiro beijo”. O primeiro como sendo literalmente a primeira vez. O segundo, por alguém que sentia algo de verdade. E, finalmente, o terceiro, com quem amava e era amado. Cada um deles com sua beleza e significado peculiar. (Bacana, né?!)

Mais tarde pude perceber que na vida sempre temos “primeiros beijos”. Isso acontece pelo simples fato de estarmos em mudanças constantes, conhecendo pessoas, vivendo situações diferentes, mudando com o tempo e com o mundo.

Acho que o primeiro beijo só deixará de existir após encontrarmos o grande amor. Aquele que indica que nada mais nos falta, que não queremos mais ninguém, senão aquela pessoa que está ali ao nosso lado. Mas como a realidade nem sempre é doce, podemos não passar a vida com esta pessoa. Contudo, ela será suficiente para registrar seu mais valioso primeiro beijo.

Agora, se o mundo conspirar a favor, vocês ficaram juntos. Aí o “primeiro beijo” deixará de ser seu para ser de vocês, ou seja, o “nosso primeiro beijo”. Deste, não só se lembrarão para sempre, como farão questão de contar para todos aqueles que se dispuserem a ouvi-los.

(Djavan Antério)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Cheiro

Sabem aqueles cheiros que marcam? Que fazem você voltar no tempo, lembrar de algo ou alguém, ou simplesmente sentir-se bem? Pois é, particularmente, tenho tal sentido bem aguçado, acredito eu.

Mas antes que pensem que me atentei para este tema por sentir um cheiro saudosista, nostálgico, permita-me surpreendê-los. Acabo de saborear uma deliciosa tapioca. Isso mesmo, aquela iguaria tipicamente brasileira, de origem indígena tupi-guarani, feita com a fécula extraída da mandioca, também conhecida como goma da tapioca, polvilho, goma seca, polvilho doce.

Não sei se sabem, mas costumo arriscar-me na cozinha. Na verdade, é um dos meus espaços favoritos da casa. Por isso mesmo, invento, reinvento, arrisco... Tudo para um breve, porém saboroso momento.

Agora mesmo, preparei uma dos meus lanches favoritos do final da tarde: tapioca de carne seca (de sol) com queijo coalho e café com leite. Neste caso, tão bom quanto comer, é preparar!

Nossa! Como me agrada o cheiro da goma nova, aquela recém comprada. Costumo deixá-la na geladeira. Assim, além de preservá-la melhor e por mais tempo, proporciona uma incrível sensação ao peneirá-la. Os dedos se misturam à farinha, a temperatura entre massa e mão interage e entra num acordo. Neste processo, o aroma é exalado de forma quase que instantânea.

Ao passar pela peneira, as pontas dos dedos se sensibilizam com os minúsculos furos do plástico. Devidamente peneirada, segue para a frigideira pré-aquecida. Recomendo espalhar com a mão mesmo. (Faz parte do ritual!)

Delicadamente, ponho, de um lado a carne seca previamente processada, do outro, algumas generosas fatias finas de queijo coalho. Incremento com rodelas de cebola, orégano, salsinha e pimenta do reino. Por fim, jogo por cima mais uma camada de goma, como se ali nevasse. Com extremo cuidado, viro a posição da tapioca para que asse do lado contrário. Alguns breves segundo depois e... Voilà!!!

A mistura do cheiro é fenomenal. Temos a goma, a carne, o queijo, os temperos e, de quebra, um maravilho café feito na hora!

Cheiro... deste eu nunca quero esquecer.
Muito menos deixar de senti-lo!!! 

(Djavan Antério)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Nunca Permanecemos os Mesmos


Talvez hoje eu saiba como eu deveria ser
Ainda assim, seria eu mesmo

Tudo o que acontece deve ser cuidadosamente avaliado
Indo e vindo, devemos saber diferenciar o certo do errado

Apesar de nem sempre percebermos
Nunca permanecemos os mesmos

E pensando bem, é muito bom que a vida seja assim 

(Djavan Antério)