quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Silêncio


Silêncio é algo que muitas vezes perturba pelo simples fato de não se manifestar. Ele apenas se encontra ali, estático, imbuído pelo meio ao qual pertence. Pensando melhor, ele se manifesta sim, só que com muita cautela, muita delicadeza, sendo necessário respeitá-lo para assim poder ouvi-lo.

Num esforço de memória, recordo-me de algumas frases marcantes envolvendo tal palavra. Dentre elas, a de Martin Luther King: “No final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos”. Ou ainda, “escuta e serás sábio. O começo da sabedoria é o silêncio”, de Pitágoras. E que tal o romantismo eloquente de Da Vinci: “As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar”.

Independente do silêncio que estejamos tratando, todos têm em comum o fato de serem simples, diretos, inconfundíveis no propósito final. Sim, pois silêncio que se preze busca sempre evidenciar algo. Talvez a má notícia a ser dada; a dor que se cala; a tristeza retraída; a mentira não contada.

É, na verdade, não consigo ver o silêncio num contexto mais alegre. Afinal, na alegria, na felicidade, somos eufóricos, falantes, gritantes. Se pudermos, espalhamos em alto e bom som o que sentimos.

Mas não vejo o silêncio como vilão. O vejo mais como um coringa para momentos mais delicados. Calar-me não significa, obrigatoriamente, que não quero falar. Simplesmente pode representar uma escolha que optei em fazer por um bem maior. Seja este, ligado aos meus interesses ou aos daqueles que mais amo.

Tenho de confessar que ultimamente venho recorrendo bastante ao silêncio. Apesar de sempre buscar nas palavras o melhor caminho, acredito que evidenciar aquilo que sentimos com o silêncio é também uma boa escolha.

Só que tem um grande porém! É fundamental que deixemos o silêncio só para aqueles momentos de real necessidade, ou seja, quando for o melhor a se fazer. Entretanto, ainda assim, façamos com determinado intuito, propósito. Pois mesmo o silêncio pode ser escutado, interpretado e entendido.

(Djavan Antério)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Consertar Você

Viaje nesse som:
 

FIX YOU
(CONSERTAR VOCÊ)

When you try your best but you don't succeed
(Quando você faz o seu melhor, mas não tem sucesso)
When you get what you want but not what you need
(Quando você recebe o que quer, mas não o que precisa)
When you feel so tired but you can't sleep
(Quando você se sente tão cansado, mas não consegue dormir)
Stuck in reverse
(Preso em marcha-ré)

And the tears come streaming down your face
(E as lágrimas escorrem pelo seu rosto)
When you lose something you can't replace
(Quando você perde algo que não pode substituir)
When you love someone but it goes to waste
(Quando você ama alguém, mas isso se desperdiça)
Could it be worse?
(Poderia ser pior?)

Lights will guide you home
(Luzes vão te guiar para casa)
And ignite your bones
(E incendiar seus ossos)
And I will try to fix you
(E eu vou tentar consertar você)

And high up above or down below
(Bem lá em cima ou lá em baixo)
When you're too in love to let it go
(Quando você está apaixonado demais para desistir)
But if you never try you'll never know
(Mas, se você nunca tentar, nunca saberá)
Just what you're worth
(Exatamente qual é o seu valor)

Lights will guide you home
(Luzes vão te guiar para casa)
And ignite your bones
(E incendiar seus ossos)
And I will try to fix you
(E eu vou tentar consertar você)

Tears stream down on your face
(Lágrimas escorrem pelo seu rosto)
When you lose something you cannot replace
(Quando você perde algo que não pode substituir)
Tears stream down on your face
(Lágrimas escorrem pelo seu rosto)
And I
(E eu)

Tears stream down on your face
(Lágrimas escorrem pelo seu rosto)
I promise you I will learn from my mistakes
(Eu te prometo que aprenderei com meus erros)
Tears stream down on your face
(Lágrimas escorrem pelo seu rosto)
And I
(E eu)

Lights will guide you home
(Luzes vão te guiar para casa)
And ignite your bones
(E incendiar seus ossos)
And I will try to fix you
(E eu vou tentar consertar você)

(Coldplay)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Chegue Mais


Puxa, me puxe, me derrube se puder
Saca, me saque, tou aí para o que vier
Não me descuido em nenhum momento
Por isso seja ligeiro em seu movimento

Mas se quiser ajudar, seja bem vindo
Não sou de negar, sou de aceitar e ir seguindo
Presto apenas muita atenção
Até no presente dado de coração

Medo, melindre, desconfiança?
Não, apenas cuidado de quem tem lembrança
Pois sempre procurei aprender
Inclusive com aqueles que já fiz sofrer

Chegue mais, me olhe de perto
Se preciso for, mostrarei quem está certo
Se porventura errado eu estiver, admitirei
Mas ainda sim lamentarei

Sou falho, imperfeito
Busco o melhor, sempre fazendo direito
Ora desequilibro, escorrego
Acerto muito no que não queria, logo quase sempre erro

Mesmo assim, chegue mais
Meu peito se abre e se refaz
Como num tango bem elaborado
Faço do compasso algo mais estruturado

Baterei perna até que eu ache o que procuro
Ainda que seja preciso derrubar meu próprio muro
Estarei desprotegido?
Sim, mas espero que até lá esteja muito bem acolhido

(Djavan Antério)

Atitudes Impensadas


Algumas atitudes são tomadas sem pensar!

Mas o “sem pensar” não significa, obrigatoriamente, “insensibilidade”. Sim, pois “sem pensar” é melhor apoiado pela “imprudência”, mas nunca pela “ausência de sentimentos”. Nesse caso, o instinto é algo extremamente valioso, apesar de solitário.

Instinto, de acordo com o significado normativo da nossa língua mãe, quer dizer “tendência natural, inata (não aprendida nem treinada), que determina o comportamento básico e fundamental de todos os animais de uma espécie, ou de um conjunto de espécies”.

Pois bem, se uma determinada ação, advinda de meus mais puros instintos, ressalta a avaliação prévia – e muitas vezes equivocada – daquele que pertence à mesma espécie que a minha, algo está errado.

É preciso lembrar que as interações sociais entre os humanos criaram uma variedade extremamente grande de tradições, rituais, normas sociais e éticas, leis e valores, que em conjunto formam a base da sociedade humana. Em contrapartida, é importante perceber que a cultura humana também é marcada por atos impulsivos, instintivos, impensados.

O Homo Sapiens, como espécie, tem como característica o desejo de entender e influenciar o ambiente à sua volta, procurando explicar e manipular os fenômenos naturais que o cerca.

Considerando isto, se nos manifestamos, se demonstramos um pouco daquilo que somos, daquilo que sentimos, não é correto simplesmente julgarmos, condenarmos uns aos outros. É inerente à nossa espécie tentar, interpretar compartilhar, interagir com o outro.

Em meu caso específico, a clareza do que sinto transparece o que de verdadeiro existe em mim. Posso até tentar fingir, disfarçar, desconversar, mas, para quem me conhece, a verdade está ali, nua e crua, estampada bem na minha face.

Portanto, se exponho um pouco dos meus sentimentos, é porque algo me move. E, para ser franco, muito me conforta tal exposição. Em todo caso, o mais importante é que a avaliação feita não seja precipitada, mas cuidadosamente realizada.

(Djavan Antério)

domingo, 8 de janeiro de 2012

Nada com Nada


Deitado, com o computador no colo, olho para a tela, olho para o teclado, e nada me vem à mente. Ao menos nada de relevante, nada que faça sentido para mim neste exato momento, nada realmente significativo.

Por isso resolvi escrever sobre o nada, aquele sobre o qual ninguém fala, ninguém vê, ninguém sente, alguns até nem crê.

Só que, curiosamente, como num processo natural e espontâneo, as coisas começam a se revelar. O contexto aos poucos interage comigo e as palavras lentamente tomam forma.

Agora, por exemplo, lá fora cai uma leve garoa, exalando aquele cheirinho bom de terra molhada. As persianas balançam levemente, sincronizadas umas com as outras.

O som do vento, quase imperceptível, marca um compasso suave, agradável de ouvir. Ainda lá fora, vez ou outra, um carro passa e demonstra que o asfalto encontra-se bem molhado, com algumas poças.

Noto também que meus pequeninos pinheiros já estão bem crescidos, encorpados. E lembrar que o vendedor garantiu a morte iminente caso fossem mantidos à “sobra e água fresca”.

Incomodado, coço os olhos e constato que estou sem meus óculos, esquecidos no porta-luvas do carro. Quem diria? Até pouco tempo atrás nem precisava. Agora, já me desconforta ler sem eles. Ah, a idade!

Voltando para o ponto inicial dessa conversa...

Mas sobre o que eu estava falando mesmo?

Nada não, deixa pra lá!

(Djavan Antério)