terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Chegue Mais


Puxa, me puxe, me derrube se puder
Saca, me saque, tou aí para o que vier
Não me descuido em nenhum momento
Por isso seja ligeiro em seu movimento

Mas se quiser ajudar, seja bem vindo
Não sou de negar, sou de aceitar e ir seguindo
Presto apenas muita atenção
Até no presente dado de coração

Medo, melindre, desconfiança?
Não, apenas cuidado de quem tem lembrança
Pois sempre procurei aprender
Inclusive com aqueles que já fiz sofrer

Chegue mais, me olhe de perto
Se preciso for, mostrarei quem está certo
Se porventura errado eu estiver, admitirei
Mas ainda sim lamentarei

Sou falho, imperfeito
Busco o melhor, sempre fazendo direito
Ora desequilibro, escorrego
Acerto muito no que não queria, logo quase sempre erro

Mesmo assim, chegue mais
Meu peito se abre e se refaz
Como num tango bem elaborado
Faço do compasso algo mais estruturado

Baterei perna até que eu ache o que procuro
Ainda que seja preciso derrubar meu próprio muro
Estarei desprotegido?
Sim, mas espero que até lá esteja muito bem acolhido

(Djavan Antério)

Atitudes Impensadas


Algumas atitudes são tomadas sem pensar!

Mas o “sem pensar” não significa, obrigatoriamente, “insensibilidade”. Sim, pois “sem pensar” é melhor apoiado pela “imprudência”, mas nunca pela “ausência de sentimentos”. Nesse caso, o instinto é algo extremamente valioso, apesar de solitário.

Instinto, de acordo com o significado normativo da nossa língua mãe, quer dizer “tendência natural, inata (não aprendida nem treinada), que determina o comportamento básico e fundamental de todos os animais de uma espécie, ou de um conjunto de espécies”.

Pois bem, se uma determinada ação, advinda de meus mais puros instintos, ressalta a avaliação prévia – e muitas vezes equivocada – daquele que pertence à mesma espécie que a minha, algo está errado.

É preciso lembrar que as interações sociais entre os humanos criaram uma variedade extremamente grande de tradições, rituais, normas sociais e éticas, leis e valores, que em conjunto formam a base da sociedade humana. Em contrapartida, é importante perceber que a cultura humana também é marcada por atos impulsivos, instintivos, impensados.

O Homo Sapiens, como espécie, tem como característica o desejo de entender e influenciar o ambiente à sua volta, procurando explicar e manipular os fenômenos naturais que o cerca.

Considerando isto, se nos manifestamos, se demonstramos um pouco daquilo que somos, daquilo que sentimos, não é correto simplesmente julgarmos, condenarmos uns aos outros. É inerente à nossa espécie tentar, interpretar compartilhar, interagir com o outro.

Em meu caso específico, a clareza do que sinto transparece o que de verdadeiro existe em mim. Posso até tentar fingir, disfarçar, desconversar, mas, para quem me conhece, a verdade está ali, nua e crua, estampada bem na minha face.

Portanto, se exponho um pouco dos meus sentimentos, é porque algo me move. E, para ser franco, muito me conforta tal exposição. Em todo caso, o mais importante é que a avaliação feita não seja precipitada, mas cuidadosamente realizada.

(Djavan Antério)

domingo, 8 de janeiro de 2012

Nada com Nada


Deitado, com o computador no colo, olho para a tela, olho para o teclado, e nada me vem à mente. Ao menos nada de relevante, nada que faça sentido para mim neste exato momento, nada realmente significativo.

Por isso resolvi escrever sobre o nada, aquele sobre o qual ninguém fala, ninguém vê, ninguém sente, alguns até nem crê.

Só que, curiosamente, como num processo natural e espontâneo, as coisas começam a se revelar. O contexto aos poucos interage comigo e as palavras lentamente tomam forma.

Agora, por exemplo, lá fora cai uma leve garoa, exalando aquele cheirinho bom de terra molhada. As persianas balançam levemente, sincronizadas umas com as outras.

O som do vento, quase imperceptível, marca um compasso suave, agradável de ouvir. Ainda lá fora, vez ou outra, um carro passa e demonstra que o asfalto encontra-se bem molhado, com algumas poças.

Noto também que meus pequeninos pinheiros já estão bem crescidos, encorpados. E lembrar que o vendedor garantiu a morte iminente caso fossem mantidos à “sobra e água fresca”.

Incomodado, coço os olhos e constato que estou sem meus óculos, esquecidos no porta-luvas do carro. Quem diria? Até pouco tempo atrás nem precisava. Agora, já me desconforta ler sem eles. Ah, a idade!

Voltando para o ponto inicial dessa conversa...

Mas sobre o que eu estava falando mesmo?

Nada não, deixa pra lá!

(Djavan Antério)

sábado, 7 de janeiro de 2012

Sonhando Acordado

Às vezes me pego pensando nas coisas que podem acontecer.
Sei que não é algo que se possa controlar,
Mas tento priorizar àquelas que são boas.
E para isso acredito, sobretudo, na possibilidade da mudança.

Mudar não é nada fácil!
Por isso, antes de qualquer coisa,
É preciso mudar a nós mesmos
Lembrando de que todo minuto é uma oportunidade.

Comecemos então com bons pensamentos, bons sonhos...
Isto já desencadeia um conforto muito agradável
Que só mesmo um bom pensamento pode trazer.

Sabe quando você pára e sonha acordado?
Então, é exatamente do que estou falando.

Não precisa, obrigatoriamente, ver.
Não precisa, obrigatoriamente, tocar.
Basta sentir e começar a sonhar.

(Djavan Antério)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Escolhas


Passa ano, chega ano e cada vez mais me convenço de que a vida é composta, dentre outras coisas, por escolhas. E isso vai desde um simples sabonete até ao investimento de viver para sempre ao lado de quem ama.

Um novo ano começa e percebo que com ele uma avalanche de perspectivas, objetivos, sonhos, se manifesta em meu íntimo. 

Num esforço muitas vezes imensurável, dedicamo-nos, dia após dia, a atingir horizontes anteriormente traçados. Porém, apesar de todo o esforço, nem sempre conseguimos alcançá-los. Algumas vezes chegamos a visualizá-los bem de perto, outras quase os tocamos. E aí o que nos resta é ficarmos por ali, contemplando-os de longe.

No entanto, somos o que somos. E somos bem mais que perdas! Até porque perder não significa necessariamente fracassar. (“Li isso uma vez em algum lugar”)

Pergunte-se agora – e seja bastante franco – quantas vezes já abriu mão de algo por conta de um bem maior. Ou simplesmente deixou de lutar por algo que já não mais via sentindo para continuar.

Obviamente a recíproca neste caso é bastante sólida. Existem momentos que escolhemos continuar, insistir, lutar... Contudo, isso só ocorre se, de fato, acreditarmos que podemos chegar lá, que aquilo que queremos vale muito à pena.

Nossas escolhas estão diretamente ligadas aos nossos interesses. Mas não confunda isso com algum tipo de egocentrismo perverso ou algo do gênero. Na verdade o que nos move são nossos desejos, nossas vontades. E isso é normal!

O grande diferencial pode ser quando colocamos algo ou alguém acima do que queremos para nós mesmos. Aí sim é outra história! Se isso acontecer, não tenha dúvida que você chegou num estágio aonde tudo parece fazer sentido. É o que chamo de nível de paz extrema, aonde tudo parece ser mais claro, mais simples. E é exatamente neste degrau aonde quero chegar!

Sou consciente de que nem tudo o que escrevo aqui, pratico de forma linear, condizente. Mas para isso me apego nas sábias palavras de Ernest Hemingway: “O homem tem coração, ainda que não siga seus ditados.”

Feliz ano e boas escolhas a todos.

(Djavan Antério)