segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Descobrindo-se no Ser


Muito tempo desde a última vez por aqui! Os últimos anos têm me atravessado a alma, provocando a reconfiguração do meu modo de ser e sentir. Num curto período de tempo me vi outro, bem diferente daquele. Os acontecimentos, as experiências, minhas escolhas, me trouxeram ao estado que me encontro agora, de descobertas, mais ciente de mim e do mundo no qual estou navegando. Há ainda muito a navegar... Não me recordo de uma travessia como esta em minha vida. Provavelmente lá na primeira infância algo do tipo tenha acontecido, porém algumas lembranças ainda são embaçadas. A impressão é que eu esteja em processo intensivo de transformação, minha comigo mesmo. E por ser intensivo, muitas vezes acaba sendo doloroso. Coisas que antes me movia se enfraqueceram em sentido, perderam relevância. No entanto, outras carregadas em significados brotaram e brotam a cada momento. Hoje, acompanhado de alguém que me auxilia com amor neste processo, descubro o como usufruir a vida nos pormenores dos instantes vividos. Para isso, respiro mais e falo menos. Meu ser então se modifica extraindo de si aquilo que não mais lhe serve. Dizer algo além disso é querer teorizar, enquadrar-me para algo. E isso não quero ter de fazê-lo agora! Por ora sigo buscando a verdade em mim, aquela que queima e me mostra como é realmente estar vivo.

Djavan Antério

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Camaleão na Paraíba

A capoeira paraibana esteve em festa, melhor dizendo, esteve em vadiagem...

Recebemos neste fim de semana um grande mestre, um mestre que representa a capoeira em sua mais nobre causa. Recebemos, com todo o respeito, Mestre (mandingueiro) Camaleão.


Tudo aconteceu muito rápido! Soubemos que Camaleão estaria vindo ao Brasil (já que hoje o mestre contribui para a expansão da nossa capoeira em terras antigas da Europa) e existia a forte possibilidade da vadiação chegar até aqui, na terra de Jackson do Pandeiro.


A conexão rolou naturalmente, sem tanto floreio. Professor Sabão foi lá, Mestre Camaleão chegou por aqui. E aí o que tivemos foi muita capoeira. Difícil querer expressar em palavras todo o contentamento emergido da ginga desse grande mestre, que na beleza da humildade, tornar-se gingante dentro e fora da roda.

Na sexta Camaleão foi recebido do jeito que gosta, na confluência dos movimentos e na interação dos corpos. Joga pra lá que eu jogo pra cá. Vai daí que eu vou daqui. E assim a vadiagem correu solta.



Camaleão trouxe mais dendê pra terra de “cabra macho”, trouxe fundamentos críticos e reflexivos, fazendo valer a máxima de que a capoeira necessita da força conjunta, do todo ao invés do uno. “Vocês são a nova geração”, disse ele ao sustentar que o bom deve ser fomentado; e o ruim, por sua vez, deve ser enterrado.

*Mestres: Camaleão, Gege, Cobrinha Mansa, Silas e Peixinho

Sábado foi dia de oficinas. Num espaço massa, cedido pelo Departamento de Educação Física da Universidade Federal da Paraíba (DEF/UFPB), pela manhã, com o Mestre Camaleão, rolou o trava daqui, o joga pra lá. Fecha, abre, solta o pé, mas não deixa bater. Cada lição era recebida com atenção e apreço. Primeiro por vir de um mestre, mas, sobretudo, por ser algo compartilhado com amor, amor à arte de “capoeirar”. E isso, camará, não há vídeo no mundo que ofereça.


A tarde foi dedicada ao Coco, dança nossa, nordestina, rica no balanço, forte na cultura.  Numa brincadeira onde a mistura de Coco e Capoeira deu em “Cocoeira”, tivemos a contribuição significativa do contra-mestre Café, “cabra da peste” daqui vizinho (Natal/RN), que bate o pé, quebra o corpo e queima na embolada. Valeu irmão pela força, pela soma. A conexão foi feita, vamos agora tratar de engrossar essa caldo!


Domingo o evento se estendeu até o alto da serra, chegando a terra do maior São João do mundo, Campina Grande. E como foi lindo! Num simples lançar de ideia, a oficina se replicou, abarcando capoeiristas de diferentes localidades do interior paraibano. Aproveitamos para agradecer a Associação Cultural de Capoeira Badauê, na pessoa do Mestre Sabiá, sábio, sereno e acolhedor. Também ao contra-mestre Tibério, “caba bom”, que não se fechou à emoção de estar com Camaleão, ídolo no jogo e na vida. Foi emocionante, meus irmãos, vê-los em oração: “Mandei caia meu sobrado, mandei, mandei, mandeeeeeei...”


Voltamos a capital paraibana para a roda de despedida. E quanta sabedoria junta! Tivemos em sinergia mestres, contra-mestres, professores, monitores, alunos. Destaco: Mestre Lima e o grupo Angola Mandinga; Mestre Naldinho e o grupo Angola Comunidade; Mestre Robson e o grupo Berimbau Viola. Foi especial ver a capoeira paraibana mostrando àquele que estava de passagem, que aqui tem capoeira e, como já dizia nosso João Pequeno, é da boa!

Valeu aos irmãos, contra-mestres, Barata, Marivan, Tina, Coquinho, capoeiristas de valor e que sabem valorizar. Estamos juntos na força que une, que agrega. Vamos juntos erguer ao ponto alto a capoeira da Parahyba.


E assim foi a chegada de Camelão por aqui. Rápida, porém intensa. Sem estrelismo ou qualquer coisa do tipo. A capoeira agradece!

Até uma próxima mestre, vai na fé. Iê!


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Às Vezes o Aprendizado Pode Ser Amargo


Amanheci pensando, cá comigo, em situações que às vezes passamos na vida. Falo, sobretudo, das de aprendizagens.

Seguindo do princípio de que na vida estamos em constante aprendizagem, vivendo, construindo nossa história ontológica, é preciso perceber que algumas vezes isso se dá de forma amarga, brusca, se sobrepondo ao conforto do dado momento.

Mas isso, apesar da dor, da angustia, das insistentes perguntas conduzidas pelos “e se...”, é aprendizagem. A questão é como isso será absorvido e assimilado para que, de fato, o aprendizado seja perpetuado em futuras ações. Diria até na forma de ver e enxergar o mundo. Em outras palavras, trata-se da maneira como encaramos as coisas.

Geralmente deixamo-nos levar pelo egocentrismo ainda latente e mergulhamos num bojo de lamentações sem fim. Não sei se é bem por aí... Acredito que a principal postura é manter-se sereno, firme, avaliando detalhadamente o que aconteceu (ou que está acontecendo). A partir de então, entra em cena o processo de análise, reflexão. E isso vem por meio de questionamentos simples: como? por que? e agora?

Legal é ter pessoas boas por perto, que possam imergir junto, trazendo à superfície aquilo que Skinner chama de “reforçamento positivo”. Em linhas gerais, representa nossa sensibilidade às consequências do nosso próprio comportamento. Isto é, uma consequência específica que aumenta a probabilidade futura da ação que a precedeu. (Legal isso, né?!)

Pois é, às vezes o aprendizado pode ser amargo, mas ainda assim será aprendizado. E aprender... é sempre válido!

(Djavan Antério)

terça-feira, 8 de abril de 2014

Tem uns Dias que são Especiais


tem uns dias que são especiais
não que tudo seja perfeito (não)
mas acontecem umas coisas, sabe

você consegue estar junto de vários amigos
o tempo, mesmo nublado
revela-se em brilho

é possível sentir o sol enquanto olha a lua
ver pai e filho contemplando o mar
e ainda tem o cachorro só querendo nadar

o pôr do sol (puxa!)
lança toda positividade
fluindo com calma num mergulho de até logo

e ali, bem ali (pertinho de você)
um beija flor parado
permanece também a observar


(Djavan Antério)

sábado, 1 de março de 2014

O Cafuçu Continua Lindo


A cultura (popular) vem recebendo golpes e mais golpes das (in)ações públicas, que, ao invés de fomentá-la – abrindo espaços para ocupação e investimentos específicos – faz é questão de abafa-la. Isso acontece quando se coloca, por exemplo, Aviões do Forró (com custo de sei lá quanto...) e não um grupo de Coco de Roda, um trio Pé de Serra, ou mesmo tantos outros grupos locais e regionais que continuam firmes na tentativa de manterem-se vivos nas selvas de pedra.

Não podemos confundir aquilo que leva mais gente às ruas, com a qualidade daquilo que deve ser levado como forma de entretenimento, diversão e lazer. É preciso fazer isso com responsabilidade e um mínimo de noção sócio-educativa. É possível se adequar e manter a qualidade atrelando-se, sobretudo, a alegria e a disposição do povo.

Olha o Bloco Cafuçu, por exemplo, que apesar de todas as dificuldades em tentar manter-se aberto às diferentes “alianças”, continua lindo, como um dos blocos mais divertidos do período pré-carnavalesco. Saindo da bela Praça Dom Adauto, diferencia-se pela caracterização “brega” dos seus brincantes e explora boa parte do centro histórico da capital paraybana por meio de suas ruas e ladeiras mais antigas. A trilha segue por conta das "troças", orquestras que tocam frevo, marchinha de carnaval e outras músicas típicas da rica região nordestina.

Particularmente, é a festa que mais gosto. Não lembro a vez que faltei, mas faz um bom tempo que todo ano brinco por lá, com um sorriso desdentado, aquele óculos do rei Rossi e sempre, sempre munido de disposição para a brincadeira.

Esse ano foi grandioso o evento. Não pelas atrações, mas pela ocupação deste espírito de alegria em diferentes pontos do varadouro, cada qual com suas peculiaridades. No Ponto de Cem Reis, vi famílias dançando, crianças correndo, cachorros e gatos em trégua de paz (rs). Na praça Barrão do Rio Branco, a vibe do clássico chorinho imperava, trazendo os velhos malandros e suas senhoras dançarinas pra fora das salas de tv. Enfim, toda uma gente espiritualizada em alegria.

Em alguns momentos pude perceber nos semblantes das pessoas, a satisfação em compartilhar, em “animar-se junto ao próximo”, desprendendo-se de qualquer tipo de desequilíbrio que, sem dó nem piedade, os segregam em corpo e espírito.



É, apesar dos pesares, o Cafuçu continua lindo!

(Djavan Antério)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Vale (Mágico) do Capão

 

Dias antes de partir rumo à Chapada, catei algumas informações sobre o lugar com amigos e conhecidos mais próximos. Não queria ver sites, blogs, relatos... Queria apenas saber de alguns lugares, algumas referências e pronto. Como disse anteriormente, era a realização de um sonho, e uma de suas principais características é que basicamente nada estava planejado. A intenção foi justamente descobrir, desbravar, mergulhar por inteiro.

Pois bem, um dos lugares que tive excelentes referências, até por ser o lugar que mais me agrada pessoalmente, foi o Vale do Capão. Mas quer saber? Superou muuuito qualquer tipo de expectativa que eu tenha ousado a fazer. Na chegada, por exemplo, fui recebido assim:


Lá no Capão, falando em natureza selvagem, tudo é belo. Cada pico mais exuberante que o outro. Recomendo (a) Fumaça, (b) Morrão e Águas Claras e (c) Rio Preto.


Mas não é exatamente isso que torna o lugar mágico. Também, mas são as pessoas que diferenciam. Todos caminham devagar, mais parecendo refletir sobre quase tudo que se passa. São pessoas alegres, com a gentileza na ponta de cada ação. A paz reina e a gentileza impera. (É uma espécie de realidade paralela!) As crianças são felizes e traduzem suas criatividades nas brincadeiras populares, na forma de se relacionar com o próximo. Descalçados, correm pelas ruas, interagindo com pessoas e animais que constantemente circulam nas praças.


Há consolidado uma educação mais livre, diria até "libertadora", que contempla as dificuldades e desafios do cotidiano. Os pequeninos pouco ouvem a palavra NÃO. Pensando nisso, me ocorre como é triste ver nas cidades, crianças excessivamente protegidas, que acabam se fechando para o mundo. Por que não permitimos que nossos filhos descubram (com suas próprias pernas) as infinitas possibilidades que a vida, já nas fases inicias, proporciona para um aprendizado espontâneo e natural?


E a movimentação cultural? Como é rica! Lá a capoeira é de Angola. O toque do berimbau conduz um jogo limpo, repleto de respeito. Os movimentos são combinados, traduzindo a paz ao invés da guerra. A dança acontece entre irmãos, prevalecendo sempre a cordialidade. Sem esforço, é possível sentir a tradição, a cultura, o amor de pessoas ricas em espiritualidade.


E falando em pessoas, no Capão conheci outras maravilhosas. Foi bom, pois logo preencheu a lacuna deixada pelas amizades de Lençóis. Leo e Mica, Gabi e Nana, Nicolas, Diêgo, Carol, Aline, Thais, Alemão (do Brasil) e seu pequeno sol Luniz, Pati e Karizia, Mari, Rodrigo, Giovani, Astral, Antônio, Renato, Martins e seu querido aprendiz Sumé, Diego (Galpão), Arthur, Ayla, Val, Deri e a doce Ananda, André e tantos outros...



Com elas fiz de tudo um pouco. E tudo, num lugar como este, é feito com a alma e coração. Daí o forte vínculo que se cria ali, naquele momento, naquele contexto. Pessoas de coração aberto, sabe?!


Rolou pastel de palmito de jaca; pizza “doce e/ou salgada” (1 do tipo doce e uma do tipo salgada. E só! Ahhh, todo dia estávamos lá – hehe); batata do Massala (Evandro, gratidão pela gentileza! Jamais esquecerei o que fez); caldo de cana com limão; beiju, completudo (sanduíche) e cuscuz com banana (aprendi!!); mel de pimenta. Vale ressaltar a tendência vegetariana do local. Para se ter uma ideia, não me lembro de ter comido carne nesses 20 dias que passei na Chapada.




Dia após dia um de nós partia. Até que chegou a minha vez! E sabe o que fiz? Levando em consideração que já havia explorado e vivenciado bem a beleza natural das redondezas, resolvi viver ainda mais a vila. 24 horas caminhando, conversando com moradores, brincando com as crianças, interagindo e, ao mesmo tempo, agradecendo.


Então parti, mas com a certeza de que levava comigo LUZ e AMOR para a realidade que me aguardava. Sim, pois, por mais que possa parecer, não resolvi ficar. Muito pelo contrário!

É fácil partir para "uma melhor". Difícil é contribuir para uma efetiva mudança onde as coisas não estão indo bem. A terra que escolhi ficar, ainda que castigada pela seca, desigualdade, intolerância, violência, descaso... merece todo meu esforço para que não se torne a "babilônia" que já se vê em tantos outros lugares.

Valeu Diamantina!


(Djavan Antério)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Chapada (dos Sonhos) Diamantina



Mochila nas costas, 25 de dezembro de 2013, noite de natal. Partiu Chapada Diamantina...

Provavelmente não conseguirei relatar aqui tudo o que vivi em 20 dias de pura entrega, de profunda conexão junta à natureza, mas irei tentar.

De início, vale dizer que a viagem foi a realização de um sonho antigo, que só agora pude realizar. Queria ter feito meus 30 anos por lá, mas... que bom que aconteceu assim. Acredito muito que tudo tem seu momento, seu propósito, por isso não adianta pressa, afobação. Quando tem de acontecer, acontece. (E aconteceu lindo!)

Na rodoviária de Salvador, aguardava meu ônibus que sairia às 23hs. Quem é do meio sabe que já nestes contextos os mochileiros começam a se sacar. Lembro que notei vários, mas dois em especial. Um camarada artesão, que parecia de algum lugar da vizinhança nossa aqui da America Latina; e outra, bem exótica, talvez da Rússia, sei lá.

Saímos pontualmente! No ônibus, sentei ao lado de uma pequena garota, que parecia sofrer com o frio do ônibus. Aliás, não sei que danado acontece que essa galera das empresas de ônibus sempre coloca o ar condicionado no mínimo do mínimo. Eu hein?!

Chegamos ao Terminal Rodoviário de Lençóis pouco mais das 5 da matina. Incrível, mas já ali, em meio à neblina e pouca luz do dia, vários guias abordam para fechar pacotes de trilhas. Como fui “de boa”, não fechei nada. A intenção era desenrolar tudo...

Foi aí que notei duas mochileiras me olhando de lado. E olha só como as coisas são, tratava-se da “russa exótica” e a “pequena que sentou ao meu lado”. A pergunta foi: “Você tem lugar pra ficar?” Eu: Não! Pronto, bastou para iniciar uma parceria massa entre mim, Renata (São Paulo – nada de gringa!) e Ezperanza (França).


Rodamos, rodamos até encontrarmos, com ajuda do guia Zé, uma casinha bem bacana, lugar onde ficaríamos os próximos dias. Fechamos com Rose, mulher guerreira que tenta sempre não se estressar com quem não quer “colocar a mão na massa”. (Era cada grito que rolava de manhã cedo... rsrsrs)

Em Lençois, conhecemos Cachoeirinha, Poço do Halley, Salão de Areias Coloridas, Mirante (onde conhecemos Phillipp, suíço mais brasileiro que eu). 


Já em quatro, conhecemos o Morro do Pai Inácio, lugar esplendoroso. O massa foi que voltamos do morro numa trip de 20km. Nos perdemos no meio do caminho (coisa que é de lei por lá para os aventureiros), mas desenrolamos, com ajuda de um guia gente boa que encontramos. Rolou ainda a Cachoeira do Sossego, Ribeirão (de baixo, do meio, de cima) e outros picos bem legais.


No percurso, pessoas maravilhosas iam surgindo e agregando à corrente. Kamyla, Andrea e mais e mais...


Vários momentos foram especiais, mas acho que um dos mais – pelo menos pra mim – foi lavar roupa no rio, junto às lavadeiras de Lençóis. Puxa, quanta historicidade tem naquele lugar. 


Voltando, conhecemos Dona Antônia, uma senhora extremamente simpática, de um papo cativante, que faz do acolhimento o seu cartão de visita. Ela, seu esposo Gonzaga e a cachorrinha Serena dão luz à pracinha principal da cidade. E quer saber, o contato foi por conta do varal dela, acredita? Gentilmente ela ofereceu o espaço e, de quebra, um delicioso café com pão.


Lençóis é um lugar massa, bem estruturado e oferece aquelas condições básicas de conforto e comodidade. Não exatamente o que eu estava procurando, mas vale o registro. É considerada a capital da Chapada. A noite funciona bem, com alguns bons restaurantes, bares, barraquinhas. Vale conhecer o “Café Bacana” (do Pedro). Quando for, peça uma cervejinha gelada e uns bolinhos de queijo à simpática Lidy, chef de cozinha do local. Se lembrar, mande um beijo meu!




Ainda em Lençóis, passei a virada do ano. Esse momento foi muito delicado, pois já havia um tempo que não passava tal data longe de minha família. Confesso que a saudade me abalou um pouco. Algumas lágrimas caíram, mas foram rapidamente levadas pelo vento frio e o ar puro que circulava pelas rochas molhadas. Além do mais, estava cercado de pessoas de puro amor!


Pouco a pouco os amigos que fiz foram partindo... Primeiro Ezperanza, depois Phillipp, Kamyla (que mais tarde encontraria no Capão) e enfim, a Renatinha. Quando percebi, estava novamente só naquela que foi minha casa durante 6 maravilhosos dias. Fechei a mochila e parti rumo ao lugar que era prioridade na viagem: Vale do Capão!


Continua...

(Djavan Antério)

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

2013, gratidão


Sei que ainda está cedo, mas acredito que já posso dizer: 2013, gratidão!

Lembro que em 2011 eu tinha a plena convicção que aquele seria “o ano pra mim”. Pois é, errei em 730 dias. E posso falar? Que bom que foi assim! Digo isso por uma única e específica razão: “sou outro, sou melhor”.

Nesses dois anos aprendi muita coisa. Aprendi a ser mais responsável com meus afazeres; aprendi a organizar mais meu tempo, otimizando minhas ações; aprendi que os frutos só vêm após uma plantação bem feita, bem cuidada; aprendi que o amor se revela de diversas formas.

2013 não acabou, mas posso dizer que ele foi (e está sendo) muito generoso comigo. Meu crescimento – intelectual, sentimental, espiritual – é evidente. E isso se deve principalmente pelas relações sociais estabelecidas com aqueles que me entornam. Falo da família, amigos, colegas, alunos. Todos, de forma peculiar, colaboraram para modificações e transformações em meu ser. E sou extremamente grato por isso.

Fazendo uma sucinta análise reflexiva do “eu de hoje” com o “eu de ontem”, ao afirmar que sou outro, quero dizer que sou diferente, no sentido de que “a cada minuto que passa, somos seres modificados”, assim como a natureza que nos acolhe. E, ao dizer que sou melhor, é exatamente isso! Melhor em acreditar nas pessoas; melhor em tentar fazer sempre o bem, sem ferir/agredir quem quer que seja; melhor em compreender a linguagem silenciosa do universo; mas, principalmente, melhor em vivenciar a vida com amor e gratidão.

Hoje meus interesses são outros, desprendidos de minha realização pessoal. Ela vai mais além, transcende o egocentrismo tão fomentado pelo mundo competitivo que nos engole e nos corrompe. Na realidade, a convicção agora se refere à certeza de que só estarei bem se os próximos a mim estiverem também. Nessa lógica, os próximos dos próximos da mesma forma. E assim temos uma corrente sem fim...

É, 2013 me trouxe só coisas boas, em todos os sentidos (Até as ruins foram boas!). Os ventos sopraram forte, porém preservando a navegação. Só espero corresponder a toda essa generosidade, buscando ser sempre alguém melhor, alguém sensível ao mundo. E mais, como disse em outra oportunidade, espero sempre que minha felicidade possa contagiar todos à minha volta.

2013, gratidão!

(Djavan Antério)

sábado, 21 de setembro de 2013

Nesse Mundo Vaivém


Nesse mundo vaivém, encontramos pessoas e pessoas...

A grande maioria simplesmente passa por nossas vidas. Outras passam, mas deixam algo. Algo diferente, maior, agregador: conhecimento. Conhecimento de causa, de caso, de vida.

Somos seres iguais, porém com diferentes formas de ver e enxergar o mundo que nos entorna. É incrível como algo pode ser uma coisa para mim e outra, totalmente diferente, para você. Isso é ótica, caracterizada por formas distintas de abstrair e conceber as transformações que se dão a todo tempo e em todo lugar.

Geralmente somos levados a enxergar pelos olhos dos outros, submersos numa acomodada estrutura fabricada, mascarada, onde o valor do próximo está nas coisas que tem, e não no que é e/ou representa. (Isso me deixa triste!).

Mas existem pessoas por aí dispostas a trocar uma ideia, sentar num papo bom, trocar vivências e aprender sempre um pouco mais... Há quem as denomine como “irmãos celestiais”.

Dentre as diversas sensações e emoções que brotam de um encontro assim, três se destacam: a Paz, o Amor e o Respeito. Basicamente tudo o que precisamos na vida. O que vier além disso deve vir pra somar, não ofuscando essa “tríade base”, pois é nela que devemos nos fortalecer e por meio dela que devemos partilhar.

Independente de onde estejamos, somos partes de um todo. Procuremos, então, assimilar e aceitar as diferenças, enfocando o entrelaçamento de ideias, de aprendizagens, de experiências, entendendo que ninguém é mais do que ninguém. Somos moléculas de uma mesma terra; somos energia de um mesmo céu.

Aprenda comigo e me permita aprender com você.

(Djavan Antério)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Guardamos Coisas


Quando se é criança, guardamos coisas que às vezes nem sabemos do que se trata... Tá aqui um exemplo!

Há muitos e muitos anos, quando um vizinho meu estava para ir embora de onde morávamos, ele me deu essa simpática caixinha laranja e disse:

"Oh, durante muito tempo guardei coisas especiais aqui dentro. Foi meu pai quem me deu... agora, gostaria que ficasse com você, meu parceirinho!"

Puxa, aquilo significou muito naquele dado momento. Tanto é que, além de também guardar coisas especiais minhas, carregar um significado passado de pai para filho e de filho para amigo, guardei durante todo este tempo.

Hoje, organizando umas coisas, a encontrei, empoeirada e com ainda coisas especiais dentro. O curioso é que só hoje percebi que se trata de um "interruptor" de ferro, acho que usado em grandes complexos como usinas, fábricas, bem coisas do tipo que havia onde vivíamos, em meio a mata amazônica!

Sentindo aquela nostalgia agradável, comecei a sorrir sozinho...

Por onde quer que esteja... Valeu, Gu!

(Djavan Antério)

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Na Fila da Padaria



Na fila da padaria...

“Boa tarde, tudo bem?! Me vê aí dois reais de francês e esses pãezinhos de queijo que ainda tem aqui, por favor.”

Ouço então uma voz meio rouca, baixinha, delicada: “Ai, fiquei sem meu pãozinho de queijo!”

Virei disfarçadamente e me dei com uma doce velhinha. Cabelos brancos, lisos, com um cocó meio querendo se desfazer, uma manta de renda por sobre os ombros, usava pequeninos óculos de grau e segurava uma carteirinha surrada de couro. (Lembrei muito da Dona Benta, Sra. Doubtfire, sei lá...).

Disse a ela que poderia ficar com os pãezinhos que não haveria problema. Ela não aceitou! Disse então que poderíamos dividir (daria uns 4 pra cada). Ela então me olhou meio envergonhada e disse: “Precisa não, meu filho, é que sempre que venho aqui, peço um pãozinho desses pra provar (hihihi)... É só tradição mesmo!”

Aí eu: “E a senhora acha mesmo que eu seria capaz de quebrar uma tradição dessa?” Peguei um guardanapo e dei-lhe seu “pãozinho-de-queijo-de-cada-dia”.

Ela sorriu!

(Djavan Antério)

domingo, 14 de julho de 2013

No Dia do Rock, Ouvi Reggae


Hoje, 13/07, dia do Rock*, tudo conspirou para que fosse o Reggae, o estilo musical do dia.

Primeiro que o dia tava daquele jeito, um sol maravilhoso, uma leve brisa fria (por conta da época) e tratava-se de um sabadão. (Viiiiixe!!!)

Ainda cedo fui, dei boas-vindas ao sol, dizendo-lhe que era sempre muito bom revê-lo, e aproveitei para regar as plantinhas que me fazem companhia aqui em casa.

Pois bem, na noite anterior tinha revisto um filme que trás, em seu desenrolar, uma pequenina referência ao “rei”.

Diz assim:

Ele tinha uma ideia... Acreditava que poderia curar o racismo e o ódio, literalmente, curá-los, injetando música e amor na vida das pessoas. Uma vez, quando estava agendado para atuar num comício de paz, um assassino foi a casa dele e alvejou-o. Dois dias depois, ele subiu àquele palco e cantou! Alguém lhe perguntou, "porquê?”. E ele disse: "As pessoas que estão tentando fazer deste mundo pior, não tiram dias de folga. Como eu poderia? Iluminem a escuridão."

Daí, meus caros, com essa profunda mensagem de amor lá dentro do inconsciente, um sol daquele, o dia daquele jeito... Ahhhh, não deu outra: Stir it up!

O dia foi massa! Voleizinho de praia com os amigos (de outrora) e aquela contemplação ao mar com meu irmãozinho e a especial cunhadinha. Apesar de ter rolado um rockzinho da melhor qualidade naquelas horinhas, meu espírito ainda assim estava dançando leve, com saltitos discretos, tronco lá e cá, braços como pêndulos... e a mente... num universo paralelamente perfeito!

Retorno ao lar e o que faço? Tomo aquele banho – lavando o sal que nos livra das impurezas – e termino o dia com um vinhozinho, alguns pedaços de queijo e... muito Bob Marley, ora essa!!


(Djavan Antério)

*Postado 24hs depois!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O Gigante Não Pode Mais Dormir


Como muito já se falou e se fala, resumirei meu comentário sobre o dia de ontem em poucas palavras...

Inicialmente exponho a emoção de estar em meio a uma energia coletiva que se mostrou forte e contagiante. Pude ver criancinhas, idosos, pessoas com necessidades especiais, militantes, estudantes, trabalhadores, enfim, um verdadeiro aglomerado de brasileiros e brasileiras que, de alguma forma ou de outra, não mais suportam o atual cenário em que o Brasil se encontra. E tudo de forma muito pacífica e apaixonante!

São muitos aspectos que pesam a favor do acontecimento, que já entrou para história. Só o fato da mobilização representa um considerável avanço (Há tempos o país conclamava por isso). Pontualmente falando, a efetiva repercussão nas tarifas do transporte público, foco principal da manifestação, é o que configura uma grande vitória.

Ademais, a pulsação dos inúmeros corações nas avenidas reflete o “nó da garganta”, o “sufoco do coração”, a vontade de fazer algo. E é justamente nesse “fazer algo” que reforço a necessidade de "acordarmos todos os dias". Irmos às ruas é sim muito significativo, é mostrar que temos sangue nas veias. Mas é preciso muito mais que isso. O gigante não pode mais dormir!

Precisamos nos aprofundar nas causas, entender o que está acontecendo e o que podemos fazer para mudar o rumo da história. Quer saber de que forma podemos começar? No voto! Pesquisando, investigando quem pode melhor nos representar. Não cair na lábia, na tentação daquele “pre$entinho”, na maré “vai com as outras”.

Não aceitemos os fatos como estão; não sejamos passivos, inertes ao poderio mascarado que se alimenta de nossa ignorância, de nossas dificuldades, de nossa garra em suportar e superar os percalços da vida.

A verdadeira mudança não acontece de uma hora para outra. Muitas vezes, ela só se consolida com o passar de anos. Mas o importante é que ela acontece, né não?! Sabe a velha história de “deixar um país melhor para nossos filhos?” Pronto, é mais ou menos isso. Portanto, é no agora que as mudanças devem começar.

Ontem foi LINDO!
Muitos corações juntos.
Muitas vozes num só coro.

Tive a oportunidade de abraçar muitos corpos: colegas, amigos, conhecidos... E sabe, se brincar, pude sentir as batidas dos corações palpitantes.

Outra coisa emocionante, mas bem particular: MINHA FAMÍLIA estava comigo! Irmão, cunhadinha, tio e ela, meu grande amor, minha mãe, a quem sou fã incondicional, a quem dedico e dedicarei sempre boa parte de minha energia.

Mãe, a senhora foi demais, mesmo sumindo (dando trabalho – rs) em meio à multidão, munida de seu cartazinho que fez tanto sucesso (Dizia ele: Vossa Excelências, não sabem de onde tirar?? Comecem pelo próprios salários!). Foi muito bom vê-la sorrindo, feliz, esquecendo-se de problemas menores e perfeitamente superáveis. Sua alegria é minha alegria! (Te amo!!)

No mais, vamos seguir juntos, meus irmãos, atentando-nos aos detalhes, as minúcias dos acontecimentos, em prol de um Brasil maior e melhor... PARA TODOS!

21.06.2013, João Pessoa/PB
 
(Djavan 'Brasileiro' Antério)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Para Saber Melhor


Na delicada caminhada da vida, nos deparamos com situações diversas. Algumas delas repercutem de forma direta no montante final, quando nos estabilizamos, constituídos de uma família e de um lar.

Atualmente tenho visto a vida através de um outro prisma, considerando, sobretudo, o esforço que fazemos para conquistar nossos sonhos, de maneira serena, lúcida e verdadeira. E é bem verdade que nem sempre conseguimos aquilo que queremos. Mas o importante é lutar, é tentar, é fazer valer o ato de sonhar.

E se me permite um conselho: APRENDA COM OS ERROS!

Não é vergonha nos arrependermos, voltarmos atrás, desdizermos o que dissemos. O que vale é a intenção de sustentar a crença, sonhar o sonho até o momento que ele desflore em realidade, quem sabe.

A vida ensina (e ensina demais) e com ela não há “meias palavras”. Ou vai ou vai! Tenho aprendido isso na pele, na alma e... no coração.

Por isso, todo dia, ao me deitar, agradeço por tudo. Acordando, peço sabedoria. Não para saber mais, mas para saber melhor. Saber como melhor lidar com aquilo e aqueles que fazem do meu mundo um mundo de todos.

(Djavan Antério)

sábado, 4 de maio de 2013

Ainda Somos Os Mesmos, Só Que Diferentes

 

Fatos inegáveis? Ações contestáveis?
Talvez apenas movimentos dispersos num contexto diferente...

Comparações? Frustrações?
Talvez seja porque o tempo não é exatamente o mesmo de outrora...

E o que dizer do tempo?
Não sei, mas certamente ele implica mudanças.

Você aprende,
Eu aprendo,
Nós aprendemos.

Ninguém é a mesma pessoa para sempre.
Na verdade, cada minuto nos modifica.
Nossa interação com o mundo é constante
E desprendida de nossas vontades.

Você muda,
Eu mudo,
Nós mudamos.

Agora, se olharmos lá no fundo, bem no fundo,
Reconheceremos algo.
Alguma coisa será familiar.

Então, se dermos a devida chance, constataremos que,

Apesar dos aprendizados,
Apesar das mudanças,
Apesar de termos feito tudo o que fizemos,
Ainda somos os mesmos,

Só que de uma forma diferente.

(Djavan Antério)